Construindo um agente de IA sobre seus dados
Do workspace pronto a um agente que responde perguntas de negócio em linguagem natural. O que precisa estar no lugar e como montar.
- Entender os ingredientes de um bom agente de dados
- Montar o caminho do dado até a resposta
- Saber o que faz o agente acertar ou errar
A promessa é simples de enunciar e poderosa de viver: uma pessoa de negócio pergunta "qual canal trouxe mais receita esse mês" e recebe a resposta, com número e contexto, sem escrever uma linha de SQL e sem esperar a fila do analista. Isso é um agente sobre seus dados. Não é mágica, é arquitetura: quando as peças certas estão no lugar, o agente lê seus dados, entende a pergunta e responde. Este guia mostra quais são essas peças e como elas se encaixam.
Os quatro ingredientes
Um agente confiável nasce da combinação de quatro coisas. E há uma que pesa mais que as outras: o contexto. Sem contexto o agente adivinha o significado dos dados e erra; com bom contexto ele entende o que cada coluna quer dizer e acerta, mesmo lendo tabelas mais simples. As outras três dão o suporte: dado acessível para ler, MCP para alcançar e um cliente de IA para conversar.
- Context documents por tabela
- Descrição de colunas e regras
- Definições de negócio (o que é "receita")
- Transforma dado em conhecimento
- Conecta o agente ao workspace
- Expõe tabelas e contexto
- Deixa o agente consultar com segurança
- Um protocolo, muitos clientes
- Tabelas prontas, de preferência wide
- Regra de negócio já aplicada
- Nomes claros, uma fonte de verdade
- Menos joins, menos chance de erro
O quarto ingrediente é o cliente de IA (por exemplo o Claude), a interface onde a pessoa faz a pergunta em português. Ele conversa com o MCP, que por sua vez lê seus dados apoiado na Camada Semântica. Repare no papel de cada um: a Camada Semântica é o manual que explica o dado, o MCP é o encanamento e o cliente de IA é a torneira. Uma camada Gold bem modelada ajuda e tende a melhorar o resultado, mas não é pré-requisito. Muita gente monta agentes que consultam direto os dados mais brutos e funciona bem, desde que o contexto esteja lá para explicar o que cada coisa significa.
O caminho da pergunta até a resposta
Cada pergunta em linguagem natural percorre o mesmo trajeto. Veja o fluxo inteiro de uma vez.
Em texto, o trajeto é:
pergunta em linguagem natural chega ao
agente (via MCP), que
lê seus dados apoiado na Camada Semântica para
entender quais tabelas usar e o que cada campo significa, monta a
consulta, e devolve a resposta. Uma tabela Gold bem
modelada deixa esse passo mais fácil, mas o que de fato evita que ele
chute é o contexto: em vez de adivinhar que "receita" é a coluna
vl, ele lê no context document que receita é
valor_liquido somado após aprovação. Sem esse contexto,
nem as tabelas tratadas salvam a resposta.
O que faz acertar, o que faz errar
A diferença entre um agente que você confia e um que solta números errados está quase toda no contexto que ele recebe, mais do que na camada onde o dado mora. É o mesmo princípio dos dois lados abaixo.
vl, st,
dt e nenhuma descrição. O agente adivinha o
significado, escolhe a coluna errada e alucina um
número convincente e falso. Note que nem uma Gold bem estruturada
resolve isso sozinha se ninguém explicou o que os campos
significam.
Esse contraste fica mais fácil de enxergar quando a camada Gold e o contexto são avaliados juntos. O guia de context document ensina a escrever o contexto que faz o agente acertar.
↗ Guia: Context documentComece pequeno. Escolha de duas a três tabelas que resolvem as perguntas mais frequentes e descreva-as muito bem na Camada Semântica, em vez de expor o workspace inteiro mal documentado. Não precisa esperar ter uma Gold perfeita para começar: um agente com poucas tabelas bem descritas acerta muito mais do que um com cinquenta tabelas sem contexto, mesmo que essas poucas ainda sejam mais brutas. Você refina para Gold e amplia depois, conforme a confiança cresce.
Perguntas que um bom agente responde
Quando os quatro ingredientes estão no lugar, perguntas assim voltam com resposta e número, direto no chat, sem passar pelo analista:
- "Qual canal trouxe mais receita esse mês?" soma a receita por canal na tabela Gold e ordena.
- "Quantos clientes novos fechamos nas últimas 4 semanas?" filtra por data de conversão e conta distintos.
- "Qual produto teve mais devolução no trimestre?" cruza vendas e devoluções já consolidadas na Gold.
- "Como está o ticket médio comparado ao mês passado?" calcula a média e compara os dois períodos.
- "Quais clientes não compram há mais de 60 dias?" lista quem passou do limite de recência.
Repare que todas são perguntas de negócio, não técnicas. A pessoa não precisa saber o nome da tabela nem a coluna certa. Esse conhecimento vive na Camada Semântica, e é o agente quem o usa.
Um time de growth vivia esperando o analista rodar as mesmas consultas toda segunda: receita por canal, novos clientes, ticket médio. Depois que a Gold ganhou uma tabela wide consolidada e um bom context document, o time passou a perguntar direto ao agente no chat. As respostas de rotina saíram da fila do analista, que ficou livre para investigações mais profundas, e o growth deixou de tomar decisão no escuro esperando o relatório da semana.
Casos de uso que aplicam o que este guia explica.